domingo, 11 de maio de 2008

De volta ao KWriter

Caros: após um breve (ou longo?) período de luta acirrada com a incrível incompetência do provedor TERRA, consegui colocar no ar o blog novamente no seu endereço antigo. Sem, claro, TODOS os arquivos antigos que foram perdidos...

Mas, como a vida segue, visitem: www.kwriter.com.br/ojardimdodiabo
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quarta-feira, 9 de abril de 2008

Aquecimento global: catástrofe ou farsa?

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Hoje à tarde assisti à XXI edição do Fórum da Liberdade. É um evento que surgiu cheio de idealismo e com coragem para a polêmica. Depois de vinte anos, ganhou importância e perdeu um pouco do vigor. Mas talvez a culpa não seja do evento. O fato é que muitas das questões que eram abordadas no fórum e que eram polêmicas acabaram se confirmando como as mais lógicas, mais eficientes e melhores para a sociedade.

Mas ainda existem algumas questões que incendeiam paixões. A questão ecológica e, em especial, a tese do aquecimento global é uma delas.

Na palestra da tarde, Philip Fearnside repetiu, com profusos gráficos e estatísticas, a tese do aquecimento global e a calamidade inevitável que se aproxima.

Luiz Carlos Molion chamou o discurso de Philip de farsa. E contra-atacou com outra pilha de gráficos, mapas, planilhas e estatísticas dizendo não só que o efeito estufa causado pelas emissões de CO2 era falso, como completou dizendo que, nos próximos anos, vamos ter não um aquecimento, mas um esfriamento global. E foi convincente.

Praticamente impossível saber quem tem razão. Mas a velha polêmica foi muito bem vinda de volta ao Fórum da Liberdade.



sexta-feira, 4 de abril de 2008

Quase um retirante...

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Há algum tempo parei de escrever sobre eventos políticos. Sei exatamente o que me desestimulou: a reeleição de Lula após o assombroso escândalo do mensalão. O recado das urnas foi inequívoco: nós não temos um país amaldiçoado pela pobreza, pela corrupção, pelo crime, pela violência e pela miséria moral.

Nós temos um país do jeito que os brasileiros querem. Eleito e reeleito.

Simples e trágico assim.
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quinta-feira, 27 de março de 2008

Coruja para Prefeito

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Em 31 de dezembro do ano passado, em Capão da Canoa, um destacamento da Polícia Militar recolheu uma grande quantidade de fogos de artifício que seriam usados para a comemoração da virada do ano. Motivo: a alegação de que o barulho dos fogos de artifício iria trazer danos à tranqüilidade e, talvez, à própria saúde de uma família de corujas cujo ninho se encontrava próximo ao local do evento.

Tal fato ganhou grande repercussão nos jornais, rádios e televisões e, na opinião de muitas pessoas, entre elas intelectuais, médicos, juristas, professores e outros, tratou-se de um verdadeiro marco de civilidade, um ato que enaltecia os direitos de cidadania, mesmo de um casal de corujas, contra a agressão provocada por uma sociedade que não se importava em desrespeitar o próximo desde que atendesse aos seus desejos individuais. Não se tratava, no fundo, de proteger um casal de corujas, mas de proteger os direitos dos cidadãos e, principalmente, das minorias.

Nesse feriado de páscoa, minha esposa e eu estivemos em Capão da Canoa. E fomos submetidos a uma agressão sonora muito superior à provocada por fogos de artifício. E não apenas por alguns poucos minutos de duração de um show pirotécnico, mas por mais de duas longas e torturantes horas. Na produção de um evento chamado Capão da Canoa Fest, a prefeitura incluiu quatro shows num palco armado ao lado do Baronda. Nosso apartamento fica a três quadras do local onde estava colocado o palco. Pois quando começou o show da quinta-feira, as janelas do nosso apartamento chegaram a tremer. Fechamos todas as aberturas mas não adiantou: nós simplesmente não conseguíamos ouvir a televisão ou sequer conversar normalmente. Sentados em duas cadeiras uma ao lado da outra, chocados com aquele absurdo, tínhamos que conversar aos gritos. E não houve jeito de conseguirmos dormir enquanto não terminou o referido show, já na madrugada. E no sábado foi ainda pior.

Não se trata aqui de questionar a qualidade das músicas, que para alguns era pior do que o espoucar de foguetes, morteiros e estrelinhas luminosas. E nem mesmo de condenar a realização do evento, cujos objetivos como divertimento popular e incentivo à economia de Capão da Canoa podem ser dos mais louváveis. Trata-se, isso sim, de perguntar aos nossos representantes públicos e àqueles cuja função é fazer respeitar a lei como é possível que um ato desse nível de agressão aconteça impunemente?

Ao que nos consta, existe uma lei que proíbe a emissão de sons com volume superior a oitenta decibéis em quaisquer condições. E é censo comum que, após as dez horas da noite, se faça silêncio para permitir que as pessoas descansem. Mas parece que as autoridades de Capão da Canoa não estão interessadas nem no cumprimento da lei, nem no respeito aos seus cidadãos.

Talvez, no final das contas, só nos reste mesmo eleger uma coruja para prefeito.
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terça-feira, 18 de março de 2008

Reflexões rasteiras...

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Um amigo disse que pareço ressentido com o terra. Ora, estou mesmo! Qual é o problema?

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Hoje, numa das aulas da PUC, a professora perguntou: "Em quem você votaria para Presidente dos Estados Unidos: Barack Obama ou Hillary Clinton?". Não sei se a mídia americana fez a mesma coisa, mas aqui no Brasil o Partido Republicano foi riscado da disputa. É muito interessante ver como a cobertura das eleições americanas está sendo feita, quem aparece nas notícias e nas fotos, com que freqüência e qual o resultado prático disso.

Coisas como essa você jamais verá na mídia brasileira: "O Senador do Arizona está a viver o melhor momento da sua carreira política. A comprová-lo, a sondagem da Gallup, que o considera o candidato presidencial mais popular entre os americanos. Segundo esta sondagem, John Mccain reúne 67% de opiniões positivas, enquanto apenas 27% dos americanos demonstram não gostar dele. Barack Obama tem 62% de respostas favoráveis contra 33% negativas e Hillary Clinton apenas recebe 53% de opiniões favoráveis contra 44% de posições desfavoráveis. Este é o melhor resultado que John Mccain obtém desde 2000".

No fundo, é meio nojento. Ou, para usar uma expressão mais adequada, disgusting.

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Por falar em receitas culinárias, e aproveitando a chegada da Semana Santa e sua tradição de comer peixes, segue aqui uma receita que vi. O prato é "Bacalhau à Gomes de Sá". É assim: Ingredientes - mulher, bacalhau, batatas, azeitonas pretas, alho, louro, ovos, cebolas e salsa; Modo de preparo - coloque a mulher e os ingredientes na cozinha. Feche a porta. Espere duas horas. Seja servido. Bom apetite.

Duvido que funcione comigo.

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Faz uma semana que o tempo está maravilhoso, ensolarado, temperatura agradável, dias luminosos e noites estreladas. Depois de amanhã começa um feriadão de quatro dias. Adivinhe qual é a previsão da metereologia?



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Blog também é haute cuisine

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Gosto de cozinhar. Sempre gostei. E não apenas churrasco, bife ou batata frita. Também gosto de arriscar algumas experiências mais ousadas. Não sei se é viadagem ou apenas uma excelente desculpa para fugir da mais degradante das atividades humanas que é lavar louça. É simples: se você cozinha, a obrigação de lavar a louça sobra para os outros. Pode ser uma desculpa meio calhorda, mas tem funcionado.

E tem outro detalhe: mulheres adoram homens que cozinham. E não é pelo motivo simplista de poupar o trabalho delas. É por demonstrar que você é um sujeito sensível, dedicado, quase um santo. Já dizia o grande poeta Vinícius de Morais: "Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?"

Pois neste final de semana, na praia, decidi fazer uns bifes irados num molho de tomate e cebola que aprendi com meu amigo Nani, o que sempre aparece. Mas aí lembrei de duas coisas das quais minha namorada gosta muito (azeitonas e champignons) e resolvi incrementar a receita. E, para comemorar a deliciosa ocasião, dei nome à experiência gastronômica: "Boeuf à la Lilika".

Foi uma loucura!

Anote aí, porque blogue também é cultura:

"Boeuf à la Lilika"

Ingredientes:
Dois bifes grossos de filé mignon, entrecot ou maminha;
Uma cebola pequena;
Uma cebola média;
Um tomate maduro;
Um tomate mais ou menos maduro;
Um dente de alho;
Uma abobrinha;
200 gramas de champignons;
Quatro azeitonas sem caroço;
Um copo de vinho tinto seco;

Modo de preparo:

Corte a cebola pequena, o tomate maduro, o alho e um pedacinho da carne em partes bem pequenas e reserve (todos separados);
Corte a cebola média, o tomate mais ou menos maduro e a abobrinha em fatias finas e reserve;
Tempere os bifes com tempero completo Arisco ou semelhante e pimenta preta;
Coloque um wok ou uma frigideira grande em fogo médio;
Coloque um fio de azeite de oliva extra virgem na frigideira;
Coloque a cebola e a carne em pedacinhos pequenos e refogue um pouco;
Acrescente o alho e as azeitonas cortadas e refogue mais um pouco;
Acrescente o tomate maduro picado e refogue mais um pouco;
Coloque um pouco do vinho tinto, tempero completo Arisco e umas pitadas de molho de pimenta vermelha e misture bem;
Refogue mais um pouco e coloque para o lado na wok (pode tirar e reservar, mas não é necessário; apenas afaste da parte mais quente da panela);
Ponha mais uns fios de azeite de oliva extra-virgem e frite a carne (muito cuidado para mantê-la mal-passada);
Quando a carne dourar dos dois lados, coloque uma boa quantidade do molho refogado que está do lado sobre os pedaços de carne e cozinhe mais um pouco;
Quando a carne estiver quase pronta (mas ainda mal-passada), retire da frigideira e cubra para não esfriar;
Ponha mais uns fios de azeite de oliva extra-virgem na frigideira e coloque as fatias de cebola e de abrobinha para fritar;
Assim que elas dourarem, misture o resto do molho anterior que havia ficado na borda da wok, acrescente um pouco do vinho tinto, tempero completo Arisco e os champignons e deixe dourar, pegando o gosto do molho. Vire as fatias de cebola e de abobrinha para dourarem dos dois lados e misture bem os champignons no molho (se quiser acrescentar também aspargos ficam deliciosos e não quebram o equilíbrio do prato);
Quando a cebola, a abobrinha e os champignos estiverem bem dourados, junte as rodelas de tomate e refogue mais uns poucos minutos (cuidado para que esses legumes em rodelas não cozinhem demais e fiquem moles. Eles devem pegar o gosto do molho mas permanecerem crocantes);
Pegue os dois pedaços de carne com o molho anterior por cima que estavam separados e coloque de volta na frigideira. Tampe e deixe cozinhar apenas uns dois ou três minutos;
Coloque a própria wok na mesa e sirvam-se. Pode acompanhar algumas fatias de pão fresco.

Como bebida para companhar esse prato, o ideal é um vinho tinto seco varietal, de preferência não muito encorpado para não ofuscar o sabor da carne (pode ser um Cabernet Franc, um Malbec ou um Merlot. Evite o Cabernet Sauvignon ou o Tannat - são muito fortes - ou o Pinot - é muito leve).

Esse prato tem três aspectos que lhe dão destaque: o sabor da carne frita marinada com o molho de tomate e cebola em vinho tinto e molho de pimenta, o toque marcante da azeitona (que tem que ser em pequena quantidade) e a maciez dos champignons enriquecidos pelo sabor do molho da carne e do vinho.

Ah, não sei se os champignons, as azeitonas ou o vinho são afrodisíacos, ou se é nosso esforço e dedicação que deixam as mulheres encantadas. Mas quem acha que o homem que cozinha para sua amada é meio viado não sabe nada da vida!



segunda-feira, 17 de março de 2008

O jardim renascendo em novo solo

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Semana passada, dia 13 de março, completou um mês que o Terra tirou do ar minha página da internet e, junto com ela, meu blog, o Jardim do Diabo. Tiraram do ar através de um ato administrativo equivocado e ilegal. Após dois dias tentando contatar alguém que pudesse decidir alguma coisa, obtive um par de desculpas esfarrapadas pelo erro e a promessa de que, em 72 horas, no máximo, seria feito um restore e a página seria recolocada no ar. Mentira.

O site K Writer foi restituído apenas dia 18 (sete dias ou cento e sessenta e oito horas depois). E, ainda assim, graças a ação de um amigo, o Cássio, que foi o designer da nova página da K Writer e que me assessora como uma espécie de anjo da guarda da minha burrice internética. Mas foi restaurado pela metade: o blog não veio junto. Penei por mais três semanas através de troca de mails, telefonemas, contatos por chat, com mau atendimento, promessas falsas por "spam" e, finalmente, uma desculpa absurda, maldosa mesmo: disseram que não fizeram o restore do blog porque eu não havia pedido!

Resumo da história: todo o conteúdo do blog perdido, mais de um ano de produção intelectual, causos, idéias, reflexões, piadas, ironias, sarcasmos, relatos de viagens e muitas fotos.

O mau atendimento por grandes companhias como operadoras de telefonia, cartões de crédito, bancos, fornecedoras de acesso à internet e outras é mais uma praga moderna, outra violência à qual somos expostos. Reclamar para quem contra corporações desse porte (e dessa impessoalidade)? Abrir um processo na justiça brasileira? Apenas outra forma de acumular mais decepções e experimentar mais incompetência e desprezo por um miserável indivíduo.

Nestas horas gostaria de ser um crente religioso e acreditar fervorosamente que os culpados pagarão por seus erros. De preferência ardendo no fogo do inferno. Se não, pelo menos amargando humilhação semelhante. Mesmo duvidando dessa possibilidade metafísica, rezarei secretamente por ela...

Mas, no fim, só me resta mesmo esse desabafo. E a sugestão de que todos vocês (e aqueles que vocês julgarem conveniente alertar com esse relato) não usem os serviços do Terra, principalmente para a hospedagem de domínios.

O Jardim do Diabo, claro, volta ao ar. Primeiro. porque ele não tem culpa nenhuma de todo esse episódio lamentável. Segundo, porque ele é muito mais um porta-voz do presente e um especulador do futuro do que um repositório do passado. E, terceiro, esse tipo de acontecimento está se tornando tão corriqueiro quanto o atropelamento de cachorros nas estradas ou o roubo do cd de nosso carro. Ou seja, um sub-produto desagradável dos tempos modernos que temos que superar.

Mas o Jardim volta ao ar longe do Terra. Vou recuperar uma plataforma que eu já tinha no Google, atualmente um dos prestadores de serviços de internet mais confiáveis. Depois, quando eu remover meu domínio (e todos os demais serviços do Terra), talvez volte a publicar o blog na hospedagem do domínio KWriter. Ou não.

Até lá, vou aproveitar para republicar alguns textos que estão perdidos por aí, resgatando as fotos que eu conseguir. E aproveitar para intensificar esse verdadeiro serviço de utilidade pública que é recomendar novamente a todos que se afastem do Terra o máximo possível.

domingo, 16 de março de 2008

Que ardam no fogo do Inferno!

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Semana passada, dia 13 de março, completou um mês que o Terra tirou do ar minha página da internet e, junto com ela, meu blog, o Jardim do Diabo. Tiraram do ar através de um ato administrativo equivocado e ilegal. Após dois dias tentando contatar alguém que pudesse decidir alguma coisa, obtive um par de desculpas esfarrapadas pelo erro e a promessa de que, em 72 horas, no máximo, seria feito um restore e a página seria recolocada no ar. Mentira.

O site K Writer foi restituído apenas dia 18 (sete dias ou cento e sessenta e oito horas depois). E, ainda assim, graças a ação de um amigo, o Cássio, que foi o designer da nova página da K Writer e que me assessora como uma espécie de anjo da guarda da minha burrice internética. Mas foi restaurado pela metade: o blog não veio junto. Penei por mais três semanas através de troca de mails, telefonemas, contatos por chat, com mau atendimento, promessas falsas por "spam" e, finalmente, uma desculpa absurda, maldosa mesmo: disseram que não fizeram o restore do blog porque eu não havia pedido!

Resumo da história: todo o conteúdo do blog perdido, mais de um ano de produção intelectual, causos, idéias, reflexões, piadas, ironias, sarcasmos, relatos de viagens e muitas fotos.

O mau atendimento por grandes companhias como operadoras de telefonia, cartões de crédito, bancos, fornecedoras de acesso à internet e outras é mais uma praga moderna, outra violência à qual somos expostos. Reclamar para quem contra corporações desse porte (e dessa impessoalidade)? Abrir um processo na justiça brasileira? Apenas outra forma de acumular mais decepções e experimentar mais incompetência e desprezo por um miserável indivíduo.

Nestas horas gostaria de ser um crente religioso e acreditar fervorosamente que os culpados pagarão por seus erros. De preferência ardendo no fogo do inferno. Se não, pelo menos amargando humilhação semelhante. Mesmo duvidando da possibilidade metafísica, desejarei ardentemente...

No fim, só me resta mesmo esse desabafo. E a sugestão de que todos vocês (e aqueles que vocês julgarem conveniente alertar com esse relato) não usem os serviços do Terra, principalmente para a hospedagem de domínios.

O Jardim do Diabo, claro, volta ao ar. Primeiro. porque ele não tem culpa nenhuma de todo esse episódio lamentável. Segundo, porque ele é muito mais um porta-voz do presente e um especulador do futuro do que um repositório do passado. E, terceiro, esse tipo de acontecimento está se tornando tão corriqueiro quanto o atropelamento de cachorros nas estradas ou o roubo do cd de nosso carro. Ou seja, um sub-produto desagradável dos tempos modernos que temos que superar.

Mas o Jardim volta ao ar longe do Terra. Vou recuperar uma plataforma que eu já tinha no Google, atualmente um dos prestadores de serviços de internet mais confiáveis. Depois, quando eu remover meu domínio (e todos os demais serviços do Terra), talvez volte a publicar o blog na hospedagem do domínio KWriter. Ou não.

Até lá, vou aproveitar para republicar alguns textos que estão perdidos por aí, resgatando as fotos que eu conseguir. E aproveitar para intensificar esse verdadeiro serviço de utilidade pública que é recomendar novamente a todos que se afastem do Terra o máximo possível.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Buemba! Buemba!

Publicado em 18/10/2006 - Novo rancho

Quem não leu o post anterior, aí vai repeteco: o Jardim do Diabo está em novo endereço: www.kwriter.com.br/ojardimdodiabo.

Casa nova, cheia de novidades. Te aguardo por lá.

Publicado em 13/03/2008 - TERRA destrói o Jardim

O provedor TERRA, onde o endereço acima estava hospedado, PERDEU todos os arquivos do meu blog. Portanto, enquanto eu rezo para que a Providência Divina ou a Ira de Satanás transforme o Terra num monte de cinzas, voltarei a publicar o blog sob a gerência do Google em novo endereço (www.ojardimdodiabo.blogspot.com). Espero, no final de semana, recuperar alguns textos dos meus arquivos e publicar alguma novidade.

Peço desculpas aos que tentaram acessar o JARDIM nesses últimos dias e deram de cara com nada. E espero continuar contando com o prestígio dos meus amados (e também dos odiados) leitores.

Baita abraço.

terça-feira, 26 de novembro de 2002

Uma versão do inferno

O inferno é um tema recorrente não apenas ao longo de toda a história da civilização, mas no próprio cotidiano ordinário. E ordinário, nesse caso, se presta para trocadilhos. “Ora, vá para o inferno” é uma expressão menos cabeluda do que “vá pra puta que pariu” ou mesmo “vai te fuder”. Mas pode ser mais ameaçadora na medida em que mexe com coisas menos prosaicas do que nossa mãe ou um caralho.

Não li O Inferno de Dante (aliás, há lacunas inomináveis em minha bibliografia clássica – o que me atormentou até os 30 anos, mas que agora me transmite uma certa piedade divina em ter me poupado de muita chatice). Mas não apenas a literatura e a arte em geral tentaram representar a figura de Satanás de todas as formas possíveis e impossíveis. O imaginário popular, insuflado pela necessidade da igreja de vender pacotes de salvação, encheram o dia-a-dia do pobre homem comum de pecados e demônios dos mais variados tipos. A versão podia ser romântica – manter a alma humana longe das tentações pecaminosas – mas a realidade era deplorável: manter o homem longe das tentações que pudessem afastá-lo da influência da igreja, que pudessem roubá-lo de seu poder.

Mas entre as várias representações do inferno das quais me lembro – labaredas aterradoras, figuras melífluas de garras, chifres e caudas pontiagudas arrastando o condenado para as entranhas da terra, torturas, sevícias, angústia, medo opressivo, dor, agonia sem fim – uma me é particularmente aterradora: vestiário masculino de academia. Não há nada tão nojento, asqueroso, fedido, repugnante, insalubre, anti-estético, degradante, opressor, deprimente, repulsivo do que cheiro de homem suado, cueca imunda, toalha mofada esquecida há dias no fundo de uma sacola, tênis chulezento, glande mal lavada.

Se na Itália dividida entre o domínio do Papa e a influência do Sagrado Império Romano houvessem vestiários masculinos tão dantescos (sem perdão pelo trocadilho) quanto os que existem hoje, os labirintos do inferno seriam muito mais tenebrosos do que Alighieri conseguiu descrever.

Kleber.

segunda-feira, 25 de novembro de 2002


Afinal, o que estou fazendo aqui?

Ouvi falar dessa nova (agora já velha) mania dos blogs tempos atrás e não dei muita bola. A perspectiva de gente entediada, desmiolada ou simplesmente desocupada destilando suas mediocridades cotidianas em um diário público me parecia ridícula. Provavelmente chata às raias do suicídio.

Mas talvez tudo seja uma questão de timing. Nossas convicções inabaláveis e certezas defendidas à golpes de intolerância muitas vezes são apenas o resultado de uma visão parcial através de uma pequena fresta das circunstâncias. Um dia a gente acorda e mete o olho pelo buraco da janela num ângulo diferente e enxerga uma árvore que nunca viu. Ou que viu apenas o galho torto e não a flor viçosa sendo obscenamente chupada por um colibri.

Escrevo, sempre escrevi e, atualmente, ando meio obsessivo. Freqüento alguns grupos do yahoo e acho que estou começando a chatear algumas pessoas. Então lembrei que a chateação privada é um porre, mas que a chateação pública é, senão suportável, pelo menos moralmente defensável. Parodiando João Cabral de Mello Neto, são os sete palmos de liberdade que me cabem nesse latifúndio.

Então revisitei alguns blogs e acabei achando coisa de boa qualidade. Tem o do Galera, um ex-colega da Oficina de Criação Literária do Luiz Antônio de Assis Brasil (http://www.exquisite.com.br/galera). Acompanho o trabalho dele desde lá e gosto do seu texto. Da mesma turma do extinto Cardosonline, um fanzine que fez sucesso, tem o blog do Cardoso (http://www.exquisite.com.br/cardoso), da Clarah e muitos outros. O blogspot e o blogger estão cheios das coisas mais esquisitas, babacas e até interessantes. Algumas, vejam, bem inteligentes. É uma comunidade repleta de criatividade, insanidades e muito lixo, também.

Fico em dúvida se essa fauna é formada por voyers ou exibicionistas. Mas há realmente diferenças notáveis nas suas naturezas complementares? Não está comprovada a tese de que os opostos tanto se afastam que acabam se encontrando do outro lado de suas diferenças?

Enfim, reflexões dispensáveis. Que, no fundo, foi o que me trouxe aqui.

Kleber.